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Cartão de crédito: gastos refletem novo padrão de consumo com a pandemia

10/06/2020 03:05

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Os brasileiros gastaram R$ 297,7 bilhões nas compras com cartão de crédito, crescimento de 14,1% no primeiro trimestre de 2020, aponta o levantamento realizado pela Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). A pesquisa também revelou que as compras online tiveram alta de 23,2%, somando R$ 86,7 bilhões e representando 29% do volume transacionado com cartões de crédito.

Diante de um cenário de crise econômica decorrente da pandemia da COVID-19 que impactou a renda e vem aumentando o endividamento das famílias, o uso do cartão de crédito é preocupante.

Compras com cartão de crédito antes e depois da pandemia
O isolamento social necessário para conter a disseminação do novo coronavírus eliminou alguns gastos, como transporte por aplicativos, almoço ou jantar fora de casa, o happy hour com os amigos, compra de passagens aéreas, entre outros e cedeu espaço para outras despesas.

A Elo, empresa de bandeira de cartões, realizou uma pesquisa sobre o volume de transações durante a pandemia do novo coronavírus. De 18 e 24 de maio, as compras no e-commerce com cartão de crédito apresentaram alta de 16% e entre as categorias que se destacam estão as lojas de departamento (135%), apps de entrega (134%), supermercado (132%) e vestuário (108).

Perda de renda e o impacto no padrão de consumo
A pandemia escancarou as desigualdades no Brasil e vem mostrando que as famílias de baixa renda tem dificuldade em cumprir o isolamento social, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Embora não existam dados oficiais sobre o período de crise do coronavírus, dados do IBGE analisados em 2019, apontam que o 1% mais rico da população – constituída por 2,1 milhões de pessoas – teve uma renda média mensal de R$ 28.659 no ano passado, equivalente a 33,7 vezes do rendimento da metade da população brasileira mais pobre, que ganhava R$ 850.

Economistas ouvidos pelo Nexo Jornal acreditam que a crise do novo coronavírus pode afetar ainda mais a distribuição de renda no Brasil e piorar o cenário que vivemos.

Nesse período de crise, os mais ricos reduziram o gasto com cartão de crédito em 29%, enquanto cliente de baixa renda mostraram recuo de 20% em maio, segundo o levantamento da Elo.

Com a perda de renda provocada pela crise do novo coronavírus, 43% dos brasileiros dizem que o pagamento de contas essenciais é prioridade, segundo a pesquisa da Boa Vista. Os entrevistados preferem pagar as contas de luz (72%), TV a cabo e internet (42%) e contas de gás (40%). Apenas 13% mencionaram priorizar o cartão de crédito.

Orçamento familiar: dívidas no cartão de crédito
O cartão de crédito costuma ser o grande vilão do orçamento devido às altas taxas de juros e o principal motivo de endividamento das famílias (76,7%), segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Para se ter uma ideia, a taxa de juros total do rotativo do cartão de crédito oscilou de 327,1% para 313,4% em abril de 2020.

Vívian Rodrigues, planejadora financeira e fundadora do Papo de Valor, destaca a importância de entender o cartão de crédito como um forma de pagamento e planejar as compras.

“É preciso tomar cuidado, porque as compras vão chegar na fatura do mês que vem e naturalmente vamos precisar pagar essa conta. Se assumir o pagamento do valor mínimo, a bola de neve do endividamento se inicia. Tem que ter muito cuidado para não acarretar algo muito maior”, alerta.

Rodrigues acredita que a pandemia pode ampliar o número de famílias endividadas no Brasil que, atualmente, corresponde a 66,5%, de acordo com a CNC.

Cartão de crédito: como fazer o controle de gastos
Nesse cenário de crise financeira, o uso do cartão de crédito é, inevitavelmente, a forma como muitas pessoas conseguem fazer as compras no supermercado. Em geral, o uso desse meio de pagamento deve ser evitado – sobretudo se a pessoa não fizer o controle de gastos – , mas na atual situação especialistas concordam que não há problemas em utilizá-lo com cautela. “É muito complicado falar para não usar, mas use dentro do contexto de essenciais com alimentação, remédios e coisas nesse sentido”, diz Rodrigues.

Para não estourar a fatura do cartão, a dica é anotar todas as compras no papel ou na planilha. “Estabeleça uma meta semanal de gastos, incluindo supermercado, farmácia e as coisas que a gente precisa comprar com certa frequência e que são previsíveis. Imponha um teto e vá acompanhando o limite semanal”, aconselha.

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